Enquanto vários publicadores de conteúdo estão disponibilizando plug-ins ou atualizações para permitir classificação por tags, somente agora o Blog UOL acordou para a classificação por categorias. Tudo para ficar bem na fita da busca por tags do Technorati ou na dos seus usuários? Classificar é o verbo do momento?
A folksonomia permite aliar várias palavras a vários conteúdos com auxílio de informantes reunidos em uma rede social. Apesar de não ser tão intuitiva e disseminada como a dos diretórios ou folders, ela foi rapidamente compreendida e difundida por uma faixa de early adopters de aplicativos para a Web. O sucesso diante deste público baseia-se na metáfora que não está mais no mundo real de grandes arquivos de metal, mas sim nos hipertextos que fazem parte do cotidiano destes usuários há dez anos ou mais. Sua complexidade e riqueza de detalhes e possibilidades enchem os olhos dos usuários mais experientes. O fractal hipertextual que permitia ao cibercidadão comum conectar textos, fotos e vídeos, agora permite a conexão entre aplicativos e entre personas virtuais.
Com o gostinho desta interação rica e com a necessidade crescente de um melhor gerenciamento da informação (personal information management), naturalmente estes usuários já torcem o nariz para qualquer novo aplicativo que não oferece este tipo de interação. Ou seja, uma simples busca por palavras-chave não satisfaz esta faixa do mercado, pois afinal isto é o mínimo que se espera de qualquer website produzido depois de 1995. Através do poder de interagir com o conteúdo classificando-o, este usuário constrói sua rede de conhecimento de modo mais descentralizado possibilitando o compartilhamento com sua rede de contatos.
Mas há de ser cauteloso ao desenvolver um novo aplicativo com tamanha complexidade! Vários novos aplicativos para Web têm conseguido unir personal information management e social networking satisfatoriamente. No entanto, alguns melhores exemplos ainda estão restritos ? faixa de mercado dos nerds de carteirinha da qual não conseguem sair.
Apesar de possuir maior estabilidade e de ter maior variedade de recursos, o Flickr ainda não consegue a mesma penetração no mercado como o Fotolog.net, que conta ao seu favor com a simplicidade de suas interfaces e a construção de uma rede de contatos pré-Orkut. Por outro lado, pioneirismo e design espartano não salvam o del.icio.us, que já não é uma novidade para ninguém, mas poucos não-geeks se aventuram por ali. Estes e outros como 43Things, Consumating, a extensão Outfoxed para Firefox ou qualquer outro que use um TagCloud ainda estão distantes da grande massa de usuários da Internet. Estes se contentam com a experiência de redes sociais comuns e precisam apenas do Google para sobreviver na rede. E por isso mesmo, estes websites levarão muito mais tempo para serem populares. Como há uma nova onda de otimismo no ar, alguns destes pequenos e brilhantes empreendimentos têm alguma chance de sobreviver até lá. Usar as pirotecnias do Ajax pode ajudar, mas não é o suficiente. E considerando o imediatismo informacional do público brasileiro, não espere por muitas iniciativas bem sucedidas por estas bandas.
Em tempos de avalanches de informações fragmentadas, quanto menor for a unidade compreensível a ser compartilhada, melhor será a construída a referência mental no usuário. Por isso, palavras-chaves eficientes são constituídas de uma única palavra. Afinal, webdesign é web, é design, é os dois, é o quê? Será a complexidade do vocabulário a solução para a simplificação de nossas vidas? Ou iremos sobreviver de siglas e tags abbr?
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